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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Olympiakos v Benfica: a redenção de Messias e uma questão de filosofia

FOTO:ULTRAS.GR

Quando um desmoralizado Messias salvou a filosofia de Hagan por um dia. Não perca, esta terça-feira às 19:45, o Olympiakos v Benfica da quarta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Talvez seja apenas a mente humana a criar paralelismos onde eles não existem; paralelismos daqueles que nos forçam a criar ligações entre tempos separados por décadas, mas é difícil olhar para o Benfica do início de temporada de 1973 e não ver um pouco do Benfica de 2013. Claro que eram outros tempos; desde logo, tempos em que o Benfica era não só campeão mas tri-campeão, e também tempos onde comparar uma personalidade do futebol a um soldado não ofendia a honra nacional (até porque Jimmy Hagan serviu mesmo no exército inglês durante a II Grande Guerra). Mas dizia eu que o Benfica de 2013 tinha um pouco do Benfica de 1973, mais que não seja porque ambos os conjuntos demoravam a revelar a capacidade demonstrada na temporada imediatamente anterior, ou porque os resultados não eram os esperados, ou porque o treinador era fortemente contestado, ou porque um jogador mais «mal-amado» era assobiado em pleno jogo.

Foi nestas circunstâncias (nada fáceis, diga-se) que o Benfica se preparou para receber o campeão grego Olympiakos na primeira ronda da Taça dos Campeões. O começo da época benfiquista não estava a correr da melhor maneira (derrota com o Boavista e vitória frente ao Leixões nos ensaios gerais para a europa), mas não obstante o periclitante início a expectativa entre os adeptos encarnados era a de uma noite de gala frente aos gregos. Pois se tantas vezes antes tinha acontecido maus ensaios resultarem em noites europeias galopantes, porque razão haveria de ser diferente desta vez? Um desconfiado Malta da Silva falava mesmo «em fazer todos os possíveis para obter uns cinco ou seis golos de vantagem», mas um desejo não passa disso mesmo e os gregos também vinham à Luz jogar à bola.

Apesar do jogo ter sido bastante aziago para Malta da Silva – para além da sua expectativa se ter gorado ainda se aleijou tendo de ser substituído -, a supremacia técnica dos jogadores benfiquistas nunca esteve em causa apesar de vários calafrios causados pelos gregos. A estratégia benfiquista de bombear bolas para  cima da baliza grega («pelo ar, pelo ar» gritava Jimmy Hagan) iam sendo contrabalançadas com rápidos contra-ataques helénicos, tendo um deles terminado  mesmo num remate certeiro mas claramente ilegal (fora de jogo). Toni e Simões bem tentavam, mas a barreira helénica de nove homens em torno da baliza de Kelesidis tornavam infrutíferas as variadas tentativas «encarnadas». Com Jordão desaparecido e Eusébio preso numaa  marcação impiedosa de três jogadores contrários (terá sido aqui que nasceu a expressão «vai atrás dele até à casa de banho?») o intervalo chegou com um nulo que agradava a gregos mas não a troianos (leia-se portugueses).

Sem a alegria do golo (que tardava), a frustração alastrava pelas bancadas. «Cadê Jordão? Onde está Eusébio? Para quem os centros a primor de Nené? (Artur Jorge apenas assistia da bancada)». O Benfica insistia na filosofia de Hagan por entre mais calafrios gregos – outro golo anulado, uma bola ao ferro e José Henrique a voar de poste a poste – até que após a enésima bola chutada para cima da baliza de Kelesidis lá apareceu um anjo salvador a dizer que sim a Jimmy Hagan e a abrir importante brecha no coração do Olimpo. Golo do Benfica e de um mal-amado Messias, que já depois de assobiado pelo público logo nos primeiros instantes da partida (com Humberto a pedir calma às bancadas «num gesto que define um carácter») teve a sua redenção ao assinar o golo da vitória encarnada. É verdade, mesmo com o acentuar da pressão dos da casa o resultado não se alterou até final e um pouco convincente Benfica levava mesmo para o Pireu um quinto da vantagem desejada. Ninguém estranhou, pois, quando os gregos festejaram intensamente o apito final, relembrando (ou talvez esquecendo) que ainda faltavam noventa minutos.

No segundo jogo em Atenas tudo foi diferente menos o resultado. O inglês que dizia «que tirava da equipa quem não chutasse bolas para cima da baliza» já não ditava as ordens (tinha-se demitido das suas funções após um célebre episódio decorrido nos «bastidores» da festa de homenagem a Eusébio) e um Benfica comandado por um interino Fernando Cabrita deslumbrou as gentes do Pireu com um futebol de passes curtos, acelerações rápidas, desmarcações e bolinha no chão. Uma vitória «à portuguesa», como diria o treinador no final.

Depois de um quarto de hora inicial em que os gregos atacaram a bom atacar, valendo-se o Benfica da resistência de um quarteto defensivo composto por Malta da Silva, Messias, Humberto e Adolfo, a turma encarnada apoderou-se da bola para não mais a largar durante a primeira metade. Aos 29 minutos uma combinação perfeita entre Malta da Silva e Toni resultou num primeiro remate de Eusébio, tendo na continuação aparecido Nené, após um ressalto, a rematar colocado para o fundo da baliza. Silêncio sepulcral no Estádio do Pireu e vantagem «encarnada» que se revelaria decisiva. Com o correr do relógio, e já depois do intervalo, o Olympiakos acercava-se cada vez mais da baliza de José Henrique (sem grande perigo), mas era o Benfica que controlava verdadeiramente a partida. Nené só não fez o segundo golo porque primeiro o árbitro não quis ver que «a bola esteve lá dentro uns bons palmos» após ser cabeceada certeiramente na resposta a cruzamento de Toni; e depois porque falhou de forma incrível a dois metros da linha de golo uma brilhante jogada de Toni pela direita, já muito perto do final do jogo.

Não houve tempo para mais e para a história (e essa é que interessa) ficou uma grande vitória do Benfica no Pireu (única até hoje) e a continuação na Taça dos Campeões Europeus, numa eliminatória em que o estilo de jogo português, tido como «habilidoso, malandro e com genica», se sobrepôs na mente de todos ao estilo de jogo inglês (de Jimmy Hagan) baseado na filosofia dos «mais altos e mais fortes». No final, e apesar do triunfo, o tema de conversa era o novo treinador: Miljan Miljanic (do Estrela Vermelha) era o preferido, enquanto Max Merkel (campeão pelo Atlético de Madrid) e Frank O’Farrel (ex-Manchester United) constavam também no topo da lista de candidatos. Nenhum deles chegaria porém, e seria mesmo Fernando Cabrita a ser eliminado pelo Ujpest na ronda seguinte da Taça dos Campeões e a levar a equipa a um segundo lugar  no campeonato nacional.

Texto baseado e adaptado das edições do Diário de Lisboa dos dias 19/09/1973, 20/09/1973 e 04/10/1973.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Académica v Benfica: estrelas cadentes e um regresso


Eusébio, Simões e José Augusto «acabados», no regresso de Toni à casa que o projectou no mundo da bola. Não perca, esta sexta-feira a partir das 20:30, o Académica v Benfica da nona jornada do campeonato nacional.

Enquanto em Manchester se digeria ainda o anúncio da retirada de Sir Matt Busby como treinador do campeão europeu de futebol Manchester United e o seu substituo continuava por escolher, em Lisboa o Benfica (finalista vencido da principal prova europeia de clubes) preparava-se para mais uma jornada do campeonato nacional da primeira divisão, competição que liderava apesar do menor brilho aparente de Eusébio, Simões e José Augusto, quais estrelas cadentes no firmamento encarnado.

Estávamos – adivinharam – em 1969 e o líder Benfica deslocava-se até ao centro do país para defrontar uma briosa Académica que aguardava o confronto com o campeão com a confiança de quem saíra das Antas há apenas uma semana com uma contundente vitória. Da comitiva encarnada que seguiu para Coimbra fazia parte um jovem para quem o jogo tinha um sentimento especial; António Oliveira - o Toni -, contratado à Académica no início da temporada, regressava a Coimbra pela primeira vez para jogar contra a sua antiga equipa depois de já a ter defrontado – e derrotado por 3-2 – no Estádio da Luz na primeira volta.

Era grande a expectativa em redor do jogo. A Associação Académica de Coimbra, que contava com jogadores como Quinito, Alhinho e Rui Rodrigues, vinha de uma bonita vitória frente ao FCPorto bem alicerçada no seu futebol habilidoso e apoiado, enquanto no Benfica nem a liderança da prova conseguia disfarçar uma muito badalada «crise encarnada» associada à fraca produção atacante de Eusébio (mas não só). O ataque encarnado produzira até ali muito menos que em épocas anteriores, mas no jogo de Coimbra as estrelas da companhia deram resposta a quem os considerava acabados com uma exibição «à antiga». É certo que a vitória se ficou por uns escassos «dois-a-zero», mas a categoria dos jogadores benfiquistas ficou bem vincada em campo.

Muito arrumado na defesa (Humberto e Cruz) e no meio-campo (Jacinto), o Benfica cedo se lançou no ataque sob a batuta de Simões e José Augusto, sempre rápidos e sagazes no levar da equipa até à área contrária. Com períodos de domínio repartido, o jogo chegou ao intervalo com uma igualdade sem golos, amarga injustiça para a turma encarnada pois só Eusébio perdera durante a primeira metade três magníficas situações para marcar, a primeira delas superiormente defendida por Viegas e as restantes duas por desafinações na pontaria do «pantera negra».

Foi apenas no segundo tempo que os campeões alcançaram um triunfo que se devia ter desenhado mais cedo, carregando no acelerador e lançando-se à conquista das redes coimbrãs. Ainda antes do primeiro golo, o pânico instalou-se constantemente entre a defesa estudantil com o dinamismo e a facilidade de remate das peças encarnadas a levarem a vários lances ameaçadores. Seria Eusébio o primeiro a desfeitear Viegas (aos 68 minutos); e também o segundo (agora aos 83), significando este último golo um golpe fatal nas dúvidas que ainda subsistiam quanto ao desfecho do jogo. Foi um triunfo encarnado muito mais fácil do que se poderia pensar, numa tarde em que Eusébio e seus pares se reencontraram com as boas exibições.

Toni teve o seu regresso coroado com uma vitória, mas sem a pujança de jogos anteriores tendo passado discreto pelo jogo e sendo até substituído por Nené no segundo tempo. A Académica, com um bom Manuel António na frente de ataque – grande disparo à trave perante um impotente José Henrique –, ficou-se pelas intenções (teria ainda a oportunidade de se desforrar numa final da taça para a história) depois de toda a expectativa criada com o seu triunfo na jornada anterior. Logo à noite perante uma outra Académica, curiosamente também ela vinda de uma inesperada vitória a norte, espera-se semelhante desfecho. 

TEXTO BASEADO E ADAPTADO DA EDIÇÃO DO DIÁRIO DE LISBOA DO DIA 31/03/1969.