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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estudo do Adversário - PSV Eindhoven

Num encontro que encerra alguma rivalidade histórica, pelos antecedentes em confrontos anteriores, Benfica e PSV Eindhoven defrontam-se uma vez mais nas competições da Uefa. De forma a tentar conhecer um pouco mais da equipa holandesa, apresento aqui a já habitual análise detalhada sobre o adversário do Benfica na Liga Europa. Dada a colaboração que houve sobre o tema, não deixem também de ler a excelente análise do Edu no Eterno Benfica.
Organização ofensiva

- Equipa organizada em 4x2x3x1. Exibições consistentes durante toda a temporada, estando ainda na luta pela maioria dos objectivos estabelecidos. Título da Eredivisie em aberto - segundo lugar a dois pontos do Twente - e presença nos quartos-de-final da Liga Europa. Apenas na Dutch KNVB Cup saíram eliminados - num jogo muito equilibrado em Enschede -  já nos quartos-de-final da prova. Equipa típicamente holandesa com boa vocação ofensiva e grande obsessão pela posse de bola. Perigosos em 3ª e 4ªfase com destaque óbvio para Dzsudzsák e Toivonen - as grandes figuras da equipa - que só entre os dois levam 39 golos e 27 assistências em jogos oficiais.

- Em 1ª fase, a construção de jogo ocorre quase sempre com o primeiro passe a sair para um dos centrais (Bouma é a grande referência). O pontapé longo é usado apenas como último recurso, procurando quase sempre Toivonen ou Berg no meio campo contrário. A opção por um jogo mais curto e menos directo, está até bem marcada nas características dos centrais, todos bastante evoluídos tecnicamente (Marcelo, Bouma e 'Maza' Rodriguez), e por vezes demasiado audazes em posse (explorar).

- Em 2ª fase existe uma característica bem marcada: a valorização da posse de bola. A circulação é, por norma, feita de forma bastante lenta e paciente, usando e abusando de um jogo de "bola no pé". Os centrais funcionam como grande referência (Bouma principalmente), ora fazendo a bola circular de um corredor para outro, ora atacando o espaço para entregar a um dos médios ou avançados que, de frente para a bola, aparecem para tabelar de primeira com quem vem de trás (pelo meio ou pelos corredores laterais). Em alternativa, um dos médios centro aparece para receber ou procura penetrações laterais dando apoio em largura (Engelaar normalmente). Os defesas laterais gostam de correr com bola (mais Manolev) e combinar com os alas do seu lado, procurando desenvolver o jogo atacante da equipa.

- Em termos de criatividade (3ªfase), as despesas recaem quase todas em Dzsudzsák na ala esquerda. O húngaro alia à sua grande capacidade tecnica e poder no 1x1, um pé esquerdo fabuloso, com grande precisão, seja em situações de cruzamento ou de finalização. Joga quase sempre bem aberto na esquerda, enquanto no lado contrário, Jeremain Lens - rápido e bom no 1x1 - privilegia movimentos mais interiores (com e sem bola), através de diagonais da direita para o meio, como forma de abrir caminho para Manolev aparecer de trás a cruzar (boa precisão). Inversão dos extremos é um recurso possível e bastante usado. Normalmente Dzsudzsák aproveita as bolas paradas a seu favor no lado direito para trocar de lado com Lens e tentar, assim, criar alguma confusão no adversário.

 - Toivonen movimenta-se sempre nas costas de Berg e é fortíssimo em combinações ofensivas no último terço. Não é um organizador, mas surpreende pela mobilidade, pelo bom remate de pé direito e pela capacidade de colocar os colegas em situações de finalização (vários passes a desmarcar Berg contra o Rangers e o Lille). Importante limitar a sua acção em posse junto à área adversária. O seu substituto natural é Bakkal, um jogador que procura organizar mais, aparecendo sempre muito bem em zona de finalização (golo ao Utrecht após cruzamento de Manolev).

- Marcus Berg tem capacidade para criar dificuldades em 4ªfase, quer seja em lançamentos em profundidade ou em situações na grande área. Passa por um período de grande falta de confiança que lhe tem retirado tranquilidade em zona de finalização (várias oportunidades claras falhadas nos últimos jogos). A alternativa ao sueco é o holandês Koevermans, um jogador muito forte fisicamente que pode causar problemas nas bolas aéreas e nos duelos individuais. Possibilidade, também, de Toivonen actuar como o elemento mais avançado da equipa.

Transição Defesa /Ataque

-
Mudança de atitude média. A maior ameaça está nas saídas rápidas após recuperações em zonas altas do terreno, onde têm capacidade para fazer a diferença. Quando a recuperação é feita em zonas mais baixas, a principal preocupação é retirar a bola da zona de pressão e dar início à posse de forma organizada e paciente. Bolas longas a solicitar os alas possíveis.

- Ainda dentro do meio-campo defensivo, cometem alguns erros e acusam muito o pressing do adversário (jogo em França com o Lille). Situação a potenciar e a explorar.

Organização Defensiva


- Equipa organizada, normalmente, num bloco médio/alto. A procura da posse de bola é feita através de uma zona pressionante, normalmente com uma postura bastante activa e agressiva. Boa organização colectiva devido, por um lado, à circulação de bola bastante paciente e mecanizada, que faz com que a equipa não se desposicione demasiado e, por outro, ao bom desempenho táctico dos dois médios-centro (Hutchinson e Engelaar). Em situação de vantagem, mudam de atitude e recuam as linhas de pressão: deixam a equipa contrária sair a jogar lá atrás, tentando apenas evitar que passem o meio-campo em situação confortável.

- Defesa minimamente consistente, mas com algumas fragilidades. Marcelo (ou 'Maza' Rodriguez) são mais agressivos nos duelos individuais e no jogo aéreo, Bouma mais forte na leitura de jogo e na antecipação. Todos bons tecnicamente e, geralmente, seguros em posse (Marcelo mais inconsistente), sendo que não raras vezes abusam na tentativa de sair a jogar. Os laterais são competentes no plano defensivo, apesar da forte vocação ofensiva. Pieters talvez mais lento a reagir a mudanças de direcção e a movimentos mais explosivos por parte do ala.

- Demasiada valorização de referências individuais na marcação. Ambos os centrais saem várias vezes de posição, seja pela marcação individual a um dos atacantes contrários (Marcelo), seja devido a um risco excessivo na tentativa de antecipar a acção de um jogador adversário (Bouma). Colocam bastante agressividade nestas situações, mas, sendo batidos, abrem-se grandes espaços nas suas costas que podem e devem ser explorados. Pouca preocupação com a coordenação da linha defensiva, sem grande ênfase no uso estratégico do fora de jogo.

- Isaksson muito seguro na linha de baliza e bastante consistente a sair dos postes (tanto agarra como soca a bola para longe da zona de perigo).

Transição Ataque/Defesa

- Boa reacção global à perda de bola, apenas com algumas debilidades nos corredores laterais (lado direito com Manolev). Todos os jogadores bastante disponíveis para recuperar a organização, beneficiando também do pouco risco em posse que não obriga a equipa a entrar em grandes desiquilíbrios na hora da perda. Hutchinson muito agressivo em momento defensivo, fantástico no pressing e na recuperação da posição.

- A defesa pode estar posicionada muito alto no campo, pelo que existirão espaços nas costas para explorar em transição ofensiva. Potenciar estas situações encurtando tempo e espaço a Bouma e Engelaar, de forma a obrigar a equipa a encontrar outras opções em 1ª e 2ª fase (passe longo, Marcelo solicitado mais vezes).

Bolas paradas - favor

- Livres laterais batidos por Dzsudzsák de pé esquerdo. Grande precisão no cruzamento. Normalmente, 5 jogadores atacam a bola na diagonal: Bouma. Marcelo, Engelaar, Toivonen e Berg. Lens coloca-se na pequena área, dificultando a acção ao guarda-redes. Hutchinson fica na entrada da área para a segunda bola; dois laterais os jogadores mais recuados. Livres frontais batidos também por Dzsudzsák, sempre com grande potência e normalmente com muito perigo (evitar faltas na zona frontal e na meia direita).

- Cantos executados por Dzsudzsák. Mais uma vez, colocam 6 jogadores na área: Marcelo, Bouma , Engelaar (movimento ao primeiro poste), Toivonen, Berg e Lens; Combinações possiveis. Equipa com grande envergadura física, com capacidade para criar perigo na sequência de lances de bola parada.

Bolas paradas - contra

- Nos livres laterais colocam 1/2 jogadores na barreira, dependendo da distância à baliza. Toivonen fica na entrada da área, Dzsudzsák e Lens mais na frente. Restantes marcam individualmente, com Hutchinson a sobrar. Nos livres frontais mais próximos da baliza colocam 5 jogadores na barreira (normalmente não saltam). Defendem com todos os jogadores junto à área.

- Nos cantos, Hutchinson fecha o espaço entre a pequena área e o primeiro poste; Toivonen fecha na entrada da área; Dzsudzsák e Lens ficam mais avançados para iniciar a transição; restantes jogadores marcam homem a homem.

Outras observações

- Fred Rutten não sabe ainda se poderá contar com Toivonen que se encontra em dúvida para a deslocação a Lisboa. Pieters e Bouma sofreram pequenas mazelas no jogo frente ao Twente mas devem estar disponíveis para alinhar na primeira partida. Se Toivonen não jogar (como me parece que acontecerá) a equipa manterá o seu 4x2x3x1 habitual, entrando Bakkal como o substituto natural do possante sueco.

- Equipa a fazer uma boa época, apesar da recente perda do primeiro lugar na Eredivisie. Na Europa, apuramento para a fase a eliminar sem qualquer derrota e eliminação do Lille e do Rangers nos dezasseis-avos e nos oitavos de final. Saldo europeu este ano cifra-se em: 12 jogos, 7 vitórias, 4 empates e 1 derrota (na pré-eliminatória).

- Substituições não implicam, normalmente, alterações no esquema táctico da equipa. Mesmo com todos disponíveis, têm um banco pouco capaz de alterar o rumo da partida, já que o plantel é bastante curto. Normalmente, Fred Rutten conta apenas com um núcleo duro de 13/14 jogadores. Para além dos habituais titulares, 'Maza' Rodriguez, Koevermans e Bakkal são os restantes jogadores chamados regularmente a jogo.


5 comentários:

Está simplesmente fantástico, Phant.
Está mais completa e aprofundada.

Ganhem lá este jogo e venha o dinamo para analisarmos ;D

Um grande abraço

Fantástico o trabalho deste senhor.
Que seja útil também para o Benfica estes monstruosos trabalhos amadores!

Fantástica análise, obrigado!
Vamos a eles!

Obrigado a todos. Estou bastante confiante das nossas hipóteses de passar. É muito importante ganhar vantagem no jogo de hoje para em Eindhoven o PSV ter que vir para cima de nós. Será o primeiro (grande) passo.

Acho que está muito boa, mas podiam pensar em fazer analise em vídeo. Ou então, só mostar uns exemplos ;)

Continua, está muito boa mesmo!

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