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quinta-feira, 13 de maio de 2010

As figuras do título - Rui Costa

Não foram só os jogadores os únicos responsáveis pela grande vitória no campeonato nacional deste ano, embora logicamente tenham a fatia de leão da responsabilidade. Vou destacar no entanto o papel de três pessoas que, não rematando à baliza, têm diferentes responsabilidades no Benfica e que contribuíram, cada um à sua maneira, para o sucesso do nosso clube. Falo de Jorge Jesus (que será a terceira crónica a ser lançada), de Luís Filipe Vieira e de Rui Costa.


Rui Costa iniciou oficialmente funções de director desportivo na época 2008/09, embora seja um dado adquirido que oficiosamente iniciou esse trabalho uns meses mais cedo. Foi atirado às feras pelo presidente num momento em que Luís Filipe Vieira não viu outra forma de safar a sua imagem perante os sócios que não fosse apresentar um escudo protector com a credibilidade e carinho da massa adepta como Rui Costa. Este, consciente ou não da exacta medida do trabalho para que estava a ser chamado, aceitou.


A primeira época foi desastrosa, e são os factos que falam. Várias transferências totalmente falhadas, que representaram e ainda representam nos dias de hoje uma factura muito alta que a SAD tem de pagar. Foi sua a grande responsabilidade de ir buscar um treinador sem currículo e cuja matriz táctica já conhecida na altura em nada se assemelhava aquilo que deve ser implementado no Benfica. Teve carta branca de Vieira para decidir praticamente tudo, no que foi uma irresponsabilidade tremenda em primeiro lugar do presidente, que para salvar a sua imagem permitiu algum amadorismo, que é compreensível num jogador de futebol que inicia funções directivas sem a mínima preparação para tal.


O fracasso da época passada irritou Vieira, que legitimado por uma votação esmagadora em eleições puxou para si a responsabilidade das grandes decisões, como o próprio já teve oportunidade de confirmar publicamente. Mandou embora Quique, foi buscar Jesus, que aparentemente era uma vontade antiga. E com Jesus, ganhou uma espécie de 2º director desportivo, visto que o treinador trouxe para o Benfica uma outra forma de trabalhar, uma outra forma de encarar o futebol profissional. Os horários impostos, a disciplina em relação aos jogadores e, claro, a noção clara do que pretendia ter no plantel foram aproveitados por Vieira.


Rui Costa foi fundamental para a vinda de mais um jogador de créditos mundialmente firmados como Saviola. O eterno maestro continua a ser uma referência mundial, e nas palavras do argentino foi importante para a tomada de decisão. Mas em sentido inverso, Rui Costa absteve-se de comunicar a alguns jogadores notícias incómodas, como no caso de Moretto, que saiu compreensivo com a decisão da sua dispensa, mas magoado por não ter tido uma palavra do director desportivo sobre a sua situação.


Com a época a evoluir, e os resultados a aparecerem, Rui Costa voltou a estar mais presente, confortando-se crescentemente com a nova posição hierárquica em que foi colocado, e adaptando-se a ela. Deu o suporte que a equipa precisou para crescer mentalmente, ajudou a solidificar uma ideia de balneário unido e imune a pressões exteriores. Foi sempre um elo importante entre a equipa e os adeptos, uma espécie de almofada de protecção para os maus momentos que felizmente nunca precisou de ser posta à prova, mas que existe.


De um ponto de vista meramente humano, Rui Costa firmou-se como um director desportivo de alto nível. Aprendeu rápido com os erros, e a total falta de preparação psicológica que a equipa demonstrou em Olhão, em Dezembro, não mais se voltou a repetir. Foram tomadas medidas claras para evitar as armadilhas dos adversários, como a tão simples questão de atrasar a recolha aos balneários ao intervalo. São pormenores que fazem a diferença.


De um ponto de vista de gestão, sinceramente não sei se o Rui Costa deste ano é melhor que o do ano passado. Penso que teve muitos exemplos para aprender, mas só com efectiva aplicação prática do Maestro poderei dizer que aprendeu com os erros e com os bons exemplos. Ao não ter tido responsabilidades decisivas na decisão de contratar jogadores e técnicos, retira-se praticamente 90% daquele que seria o seu trabalho potencial em matéria de gestão de activos e investimentos.


Devo dizer no entanto que em Janeiro, pese embora o mau aproveitamento pelo Benfica do mercado de Janeiro, Rui Costa foi certamente decisivo para aligeirar a folha salarial do plantel e para suavizar os prejuízos decorrentes de algumas compras discutíveis. Conseguiu despachar Edcarlos e Balboa (este por empréstimo), e tem bem encaminhadas as coisas para que Makukula e Yebda por exemplo sejam vendidos no próximo mercado de Verão por montantes interessantes. Ainda há muito trabalho para fazer, pois o Benfica continua a ter um plantel rico em excedentários, excedentários que custaram dinheiro nas suas contratações e que custam muito dinheiro mensalmente aos cofres da SAD. Nos excedentários está 80% da razão para o Benfica ser obrigado a fazer muito dinheiro em vendas no próximo Verão.


Em resumo, penso que o desempenho de Rui Costa foi claramente positivo à luz daquilo que são as suas novas atribuições dentro do Benfica, daquilo que se pode perceber e interpretar das palavras do presidente Luís Filipe Vieira. Se tivermos por base as suas anteriores funções, muito mais vastas, este ano pouco permite concluir. Houve de facto muito menos Rui Costa em actos de gestão, mas muito mais Rui Costa em presença de balneário.


Também ele está de parabéns, e saberá certamente recolher os devidos ensinamentos para melhorar ainda mais no futuro. O Benfica pode contar com ele!

1 comentários:

Rui Costa foi sem dúvida nenhuma a GRANDE aquisição de Luís Filipe Vieira.
É de pessoas assim, verdadeiros BENFIQUISTAS, que o clube precisa para estarem à frente dos destinos do nosso GLORIOSO CLUBE.
Saudações.

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